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Escrever e Gerir Bons OKRs

Dicas valiosas de Ken Norton , ex-Google Ventures e ex-Product Manager do Google , sobre como definir OKRs eficazes, com comentários práticos para o contexto brasileiro.

Antonio Polo 24 de maio de 2026

Uma das considerações mais críticas na adoção de OKRs é saber escrevê-los bem. A seguir, compartilho dicas valiosas de Ken Norton sobre como definir bons OKRs , e acrescento comentários práticos a cada ponto.

Ken Norton foi Senior Operation Partner no Google Ventures e ex-Product Manager no Google, responsável pelo Google Docs, Google Calendar e Google Mobile Maps para Android.


Como deve ser um bom OKR?

Direção vem do topo

Quando as empresas são pequenas, todos estão próximos do CEO e conhecem seu raciocínio. Conforme a empresa cresce, isso se torna impossível. Os OKRs ajudam o CEO a definir a direção da empresa , e por isso devem ser poucos e não devem se parecer com listas de tarefas ou planos de projeto.

É papel do CEO liderar e decidir para onde a empresa vai. Se isso não acontece, as iniciativas bottom-up não funcionam.


Priorize, não cubra tudo

A pergunta central de cada ciclo é: qual é a prioridade agora?

Um dos maiores erros na criação de OKRs é tentar cobrir todas as áreas de uma vez. Priorize o que você quer atacar naquele período , e repriorize no próximo ciclo, se necessário.


OKRs devem ser ambiciosos

OKRs devem ser difíceis de alcançar. Eles precisam forçar todos a focar e a sair da zona de conforto.

Dito isso, há uma nuance importante: como boa prática, recomenda-se começar com OKRs mais acessíveis e elevar o nível após alguns ciclos de execução. Começar com metas muito ambiciosas cedo demais pode gerar o efeito oposto , a equipe entra no modo “tanto faz, não vamos chegar lá de qualquer jeito”.


Mensure — ou não é OKR

OKRs são mensuráveis. Você saberá quando os alcançou.

“Queremos que nossos clientes sejam felizes” é um objetivo bonito , mas precisamos de números para saber o quanto avançamos. Sem isso, não é um OKR, é um desejo.


OKRs explicam o “quanto”, não o “como”

OKRs são valiosos para comunicar quanto foi alcançado , ou seja, resultados. O como é responsabilidade dos gerentes de projeto e líderes de time.

O papel do guardião do OKR é garantir que os responsáveis tenham planos de ação e que esses planos sejam transparentes para toda a organização.


Top-down e bottom-up: os dois juntos

OKRs funcionam melhor com uma combinação de abordagens. O top-down fornece a direção do CEO; o bottom-up vem dos times, que respondem e decidem o que essa direção significa para seus produtos e negócios.

OKRs puramente top-down criam um ambiente de comando , não um lugar engajador e agradável para trabalhar. Mas OKRs puramente bottom-up também falham, porque perdem o propósito de dar direção estratégica.

OKRs são uma poderosa ferramenta de comunicação que, feita corretamente e sem atropelos hierárquicos, dá voz a todos os níveis organizacionais , e permite ouvir a interpretação de cada área sobre os objetivos estratégicos. Isso é único nos OKRs.


Evite OKRs orientados a silos

Não faz sentido ter “OKRs de engenharia” ou “OKRs de marketing”. Crie OKRs orientados a produtos ou à missão do time. O objetivo é construir a sensação de que trabalhamos juntos, construindo algo.

Uma ressalva importante: a menos que você seja uma startup, é pouco provável que consiga implantar OKRs interfuncionais de imediato. Mapear interdependências é a fase final de qualquer iniciativa de escala. Criar OKRs dependentes de outras áreas sem alinhamento prévio é contraproducente.


Pense como seu cliente pensa

Quanto mais a estrutura do time se assemelhar à forma como seus usuários ou clientes enxergam o mundo, mais fácil será lembrar de focar os OKRs no que realmente importa para eles.

Esse é o desafio do século , não apenas para OKRs, mas para qualquer iniciativa de transformação organizacional: áreas inteiramente focadas em linhas de serviço, respondendo agilmente a mudanças constantes, enquanto o restante opera como fornecedor interno. Um prêmio para quem conseguir isso de verdade.


Não decompense demais

Não decomponha os OKRs em partes funcionais excessivamente granulares , senão eles começam a perder de vista o objetivo final: qual problema estamos tentando resolver?

OKRs não foram criados para resolver problemas específicos. Usá-los assim os transforma em KPIs. São mais eficazes quando funcionam como métricas acionáveis que definem a estratégia organizacional.


O que fica desta leitura

Escrever bons OKRs é uma habilidade que se desenvolve com prática, ciclos e feedback. Os erros mais comuns , querer cobrir tudo, criar OKRs por silo, não mensurar, ou delegar a direção para os times sem âncora estratégica , são evitáveis com clareza conceitual e disciplina de execução.

A boa notícia: cada ciclo mal executado é também um ciclo de aprendizado. O OKR é, por natureza, iterativo.

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